Terraplanistas tentam provar que a Terra é plana e acabem provando o contrário no documentário da Netflix

A Netflix organizou um documentário chamado de Behind The Curve, para mostrar um pouco da vida de quem acredita na pseudociência Terra Plana. Eu não critico esse documentário por dois exatos motivos:

1. A Netflix não fez essa produção para concordar com esse absurdo que é o terraplanismo, mas fez com o intuito de mostrar quem e como são as pessoas que infelizmente acreditam nisso..

2. Esse documentário não ajuda em nada promover essa crença bizarra. Isso porque além de mostrar claramente que o terraplanismo é uma organização de fanáticos querendo se passar por pesquisadores, acabou sendo um documentário que comprovou para os próprios que estavam completamente errados. Mas eu duvido muito eles abandonarem essa crença depois disso, pois já dizia Carl Sagan, que fanáticos fazem isso apenas pela pura necessidade de acreditar.

O caso é que tem um experimento que tem sido uma verdadeira pedra no sapato dos terraplanistas desde 1836. Essa experiência foi produzida pela primeira vez por Samuel Birley Rowbotham, no rio Old Bedford. É um experimento bem simples, que exige apenas que você tenha duas tábuas, uma lanterna e uma câmera.

E foi justamente essa “pedra” que eles queriam tirar do seu “sapato” e arremeçar longe aproveitando a grande oportunidade de aparecer para o mundo em uma plataforma tão famosa como a Netflix e, enfim, provar que estavam certos o tempo todo.

E aí, será que eles conseguiram vencer essa experiência “exterminadora de terraplanistas”? Óbvio que não!

O experimento

Jeran era o nome do terraplanista responsável por organizar essa aventura. Ao lado dele estava seu amigo Henrique, que iria auxiliá-lo. Na verdade, Henrique estava no experimento enquanto Jeran observava tudo, fazia suas observações e via se realmente estava funcionando. Mas em que consiste essa experiência? Para isso, preciso que você observe a imagem a seguir:

Você tem apenas que pegar duas tábuas de tamanhos iguais e fincá-las a uma certa distância da outra, no chão. Cada tábua possui um buraco, da forma que esses dois buracos têm de estar na mesma altura para que fiquem alinhados. No experimento de Jeran, os buracos ficavam a uma altura de 5,18 metros acima do nível do mar.

Henrique ficou a alguns metros longe das tábuas segurando uma lanterna. O objetivo era que o feixe de luz saísse da lanterna, chegasse na primeira tábua e passasse pelo buraco desta. Depois, passasse pelo buraco da segunda tábua e continuasse seu trajeto até parar na lente da câmera que ficava no fim do caminho, gravando tudo, como podemos ver muito bem exemplificado na imagem.

Lógico que para isso acontecer, não somente a lente da câmera teria que ficar da mesma altura dos buracos das tábuas, mas também a lanterna que Henrique segurava. Isso para que o feixe de luz saísse da lanterna e em linha reta passasse pelos dois buracos e chegasse finalmente na câmera. Ou seja, tanto a câmera quanto os buracos e a lanterna de Henrique teriam que ficar a 5,18 metros acima do nível do mar, que na imagem o autor representou como 17 ft.

Mas eis o desafio deste experimento:

Henrique teria que segurar a lanterna na altura dos buracos, mas teria que começar a se afastar, ou seja, andar para trás, mantendo a lanterna nessa mesma altura. Você concorda comigo que se a Terra fosse plana, desconsiderando totalmente uma curvatura, não importa o quanto Henrique se afastasse, a luz continuaria com o seu trajeto retilínio passando pelos buracos da tábua? Isso porque Henrique continuaria se afastando em linha reta.

O que aconteceria no caso da Terra Plana: mesmo Henrique se afastando, a luz continuaria passando por ambos os furos e chegando na câmera do outro lado

Mas em caso de uma Terra esférica, por causa da curvatura, a medida que Henrique fosse se afastando, mesmo ele mantendo a lanterna na mesma altura dos buracos das tábuas (5,18 metros acima do nível do mar), a luz não passaria mais por eles, assim como está mostrando a figura a seguir. Note que, nela, Henrique está com a lanterna na mesma altura que os furos (17 ft.), porém, a luz continua seguindo em linha reta mas não consegue passar mais por eles.

Note que agora está presente a curvatura, e mesmo que Henrique mantenha a luz na mesma altura dos buracos, na medida que ele se afasta a luz não consegue mais passar por eles

Se a Terra fosse plana, não importava o quão distante Henrique estivesse, a luz passaria pelos buracos, já que o trajeto até os buracos seria bem reto. Mas em uma Terra esférica, teria que considerar a curvatura, então, à medida que Henrique fosse se afastando, a luz não poderia mais passar pelos dois buracos das tábuas. Dada a distância de Henrique dos buracos, ele teria que posicionar a luz acima de sua cabeça (7 metros acima do nível da água), ou seja, em uma altura maior do que 5,18 metros acima do nível do mar, para que ela passasse pelos furos e fosse vista pela câmera.

O resultado da experiência

Quando Henrique se afastou, a luz não passou pelos furos. Jeran, perplexo, telefonou para Henrique para confirmar a altura da luz a 5,18 metros acima do nível do mar, mesma altura dos buracos.

Na Terra plana, desconsiderando a curvatura, ele deveria estar vendo a luz. Ele então pediu a Henrique para levantar a luz acima de sua cabeça. E eis que a luz resplandeceu.

Mais uma vez, por experimentos dos próprios terraplanistas, essa crença mostrou-se inválida. Eu achei o experimento extremamente inteligente. Muito melhor do que colocar uma régua no horizonte e dizer que a Terra é plana porque o horizonte estava tão “reto” quanto a régua. Foi exatamente por isso, pela inteligência que é essa experiência, que o resultado foi tão bom (favorável à Terra esférica) e que ela vem sendo essa pedra no sapato dos nossos “queridos” “planilsons” desde o século XIX.

🕵🏻‍♂️ Fontes

As imagens utilizadas neste post (fora a última, que é propriedade do O Mundo Físico) foram conseguidas em:

https://shortest.link/1tg2

https://shortest.link/1poa

Fontes de pesquisa:

Essas são as 5 maneiras de provar que a Terra não é plana

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2019/03/terraplanistas-fazem-experimento-para-provar-que-terra-e-plana.html

Terraplanistas provam que estão errados no documentário da Netflix

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